Sarampo de volta ao Brasil?

Sarampo de volta ao Brasil? Uma doença prevenível que exige atenção.

O sarampo: uma doença do passado?

Para muitos brasileiros, com certeza. Muitos médicos que se formaram nos últimos 20 anos nunca viram um paciente com sarampo. O Brasil recebeu, em 2016, o certificado de eliminação da circulação do vírus e recuperou essa certificação em 2024. No entanto, a queda nas coberturas vacinais e o aumento da circulação do vírus em diferentes países voltaram a chamar a atenção das autoridades de saúde.

Nas Américas, o cenário é preocupante. A OPAS emitiu alertas diante do aumento de casos e classificou o risco para a saúde pública como muito alto. No Brasil, foram identificados casos relacionados à importação do vírus em 2026. Embora isso não signifique o restabelecimento da transmissão endêmica, reforça a importância da vacinação e da vigilância epidemiológica.

O que é o sarampo?

O sarampo é uma doença viral aguda, potencialmente grave e extremamente contagiosa. É transmitido principalmente por secreções respiratórias eliminadas ao tossir, espirrar, falar ou respirar, podendo também se espalhar por aerossóis em ambientes fechados.

O período de incubação varia de 7 a 21 dias. A pessoa infectada pode transmitir o vírus antes mesmo do aparecimento das manchas: a transmissibilidade começa cerca de seis dias antes do exantema e pode durar até quatro dias depois.

Quais são os sintomas?

Os principais sintomas são:

  • febre alta, geralmente acima de 38,5 °C;
  • tosse;
  • coriza;
  • conjuntivite;
  • mal-estar;
  • manchas avermelhadas pelo corpo.

Manchas de Koplik: um sinal para o cirurgião-dentista

O exantema costuma começar no rosto e se espalhar pelo corpo. Mas também podem surgir as manchas de Koplik, pequenos pontos brancos na mucosa da boca que podem aparecer antes das manchas na pele.

Diagnóstico, tratamento e complicações

O diagnóstico considera os sinais clínicos, o histórico epidemiológico e, quando indicado, exames laboratoriais, como sorologia e RT-PCR. Além disso, o histórico recente de viagem para regiões com circulação do vírus ou o contato com pessoas que estiveram nesses locais também deve ser investigado.

Não existe tratamento antiviral específico de rotina. O atendimento é principalmente de suporte, com controle dos sintomas, hidratação e acompanhamento médico. Em crianças, a avaliação nutricional também é importante.

Embora possa evoluir sem complicações, o sarampo pode causar pneumonia, otite, laringotraqueobronquite, diarreia e encefalite. Crianças pequenas e pessoas em situações de maior vulnerabilidade apresentam maior risco de formas graves.

Como prevenir o sarampo?

A vacinação é a principal forma de prevenção. Além de proteger o indivíduo, altas coberturas vacinais dificultam a circulação do vírus e ajudam a proteger pessoas que não podem ser vacinadas.

A meta para evitar surtos é vacinar pelo menos 95% da população com as doses recomendadas. Nas Américas, porém, as coberturas permanecem abaixo desse nível em muitos países, favorecendo o surgimento de populações suscetíveis.

Por isso, campanhas de vacinação e ações de busca ativa continuam sendo importantes. Em 2026, o Ministério da Saúde reforçou a vacinação contra o sarampo durante a Campanha Nacional de Multivacinação e ampliou as recomendações de vacinação em municípios de São Paulo com casos relacionados à importação do vírus.

E o Brasil? O sarampo voltou?

O Brasil voltou a registrar casos relacionados à importação do vírus, mas isso não significa que a transmissão endêmica se restabeleceu.

Em 2026, o Ministério da Saúde registrou 24 casos relacionados à importação, sendo 21 em acompanhamento no estado de São Paulo. O cenário reforça a preocupação de que casos importados possam encontrar pessoas não vacinadas e iniciar novas cadeias de transmissão.

A própria Anvisa destaca que viajantes não vacinados que retornam de países com circulação do sarampo representam uma ameaça à reintrodução do vírus no país.

O que diz a Nota Técnica da Anvisa?

A Nota Técnica nº 9/2026/SEI/COVIG/GGPAF/DIRE5/Anvisa apresenta orientações para a vigilância epidemiológica do sarampo em portos, aeroportos e fronteiras diante do cenário internacional.

O documento recomenda manter a vigilância ativa, reconhecer rapidamente casos suspeitos, atualizar planos de contingência e preparar os serviços para uma resposta rápida diante de possíveis casos importados.

A Anvisa também informa que, no momento, não são indicadas medidas temporárias de saúde para portos e aeroportos. A orientação é manter a vigilância epidemiológica e os informes sobre o sarampo em voos e aeroportos.

Uma doença prevenível exige atenção nas Américas

O aumento dos casos nas Américas mostra que o sarampo continua sendo uma ameaça, mesmo em países que já eliminaram sua transmissão endêmica.

Qual é o seu papel na prevenção da doença? Aprenda a reconhecer os sinais da doença e a comunicar rapidamente os casos suspeitos.

O sarampo é prevenível, e a vacinação continua sendo a principal ferramenta para evitar que uma doença controlada volte a se espalhar.

Essas medidas são fundamentais para interromper a transmissão.


Liliana Donatelli e Vanessa Castilhos

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